domingo, 5 de fevereiro de 2012

“Irresistível mergulho nos mares de Netuno”

por Mônica Schwarzwald

Desde 03 de fevereiro último, Netuno começou sua peregrinação no seu signo de regência, Peixes. Fortalecido pela energia similar, este planeta pode promover tanto a iluminação e entrega nirvânica espiritual, quanto o caos da ilusão. Seja o que for que ele lhe traga, não tente entender, apenas sentir.

A Humanidade como um todo, representando o Macrocosmo e, cada indivíduo representando o Microcosmo vai vivenciar nos próximos 14 anos este contato com o lado mais secreto e obscuro do seu íntimo. Buscar respostas lógicas para situações inusitadas que apenas a sincronicidade pode explicar é tarefa por demais racional e atribuída a seu signo oposto complementar, Virgem. Mas atentar aos sinais, sonhos, símbolos, voz interior ou intuição é parte fundamental do seu patamar evolutivo.

Netuno é um dos planetas descobertos na era contemporânea, em 1846, juntamente com Urano (1781) e Plutão (1930). Neste final do século XIX, estavam nascendo espiritualistas, magos e estudiosos da alma humana de destaque como Papus, Dion Fortune, Aleister Crowley, Carl Gustav Jung, Sigmund Freud, além dos cientistas que iriam desenvolver a teoria quântica, Wolfgang Pauli e Niels Bohr. Um momento em que, o “outro lado”, o “invisível” estava começando a chamar à atenção, a começar pelo fenômeno das batidas na parede presenciadas pelas irmãs Fox, que deu ensejo à febre mundial da comunicação com espíritos. Se por um lado, o aparecimento destes fenômenos deu ensejo a estudiosos como Alan Kardec que estudou e decodificou o “invisível” criando uma religião chamada Espiritismo, por outro, forneceu a oportunidade para o charlatanismo.

Por ocasião da sua descoberta, Netuno encontrava-se em Aquário, signo imediatamente anterior a Peixes. É como se ele estivesse se preparando para revelar-se, reunindo a energia do amor fraternal, idealista, dirigido para afinidades comuns e interligadas pela mente para o grande mergulho no inconsciente coletivo: conceito usado por Jung para o oceano infinito da espiritualidade, que não obedece tempo nem espaço. Mais uma vez, o Deus dos Mares está pronto para mostrar toda sua força.

Indivíduos que nasceram com a energia pisciana bastante relevante no mapa astrológico (planetas pessoais, Ascendente, Meio-do-Céu) vão experienciar esta dicotomia : Iluminação X Caos, que somente a Intuição irá orientar de forma evolutiva. Portanto, em pleno final da Era de Peixes, seu regente se reencontra com o signo de domicílio para passar a limpo os encargos espirituais da Humanidade, não testando mais sua fé em uma religião com dogmas, restrições e padronizações, mas para visualizar-se no espelho, entrando em contato diretamente com sua essência, com aquilo que só se reconhece na mais íntima introspecção. Amar incondicionalmente o seu Deus interior. Vai depender do livre arbítrio de cada um a escolha pela introspecção e reconhecimento do verdadeiro Eu ou dar continuidade à navegação pelos mares da ilusão e alienação. Os demais signos do elemento Água, energeticamente ligados a emoção, sensibilidade e de natureza psíquica – Câncer e Escorpião – também irão experienciar esta dicotomia em menor escala e, provavelmente, com mais fluência e percepção sensorial.

O signo de Virgem também é estimulado pelas oposições de Netuno. Métodos discriminatórios, classificações puramente racionais, lógicas irão dissolver-se nestes mares profundos e infinitos. O ceticismo que antes fazia muito sentido, perde a razão. Evitar estas novas influências, evitar a intuição e a linguagem simbólica ou irracional é iludir-se e partir para um caminho sem volta no Caos de Maya (ilusão). Dissolver-se com o véu ao invés de tentar decifrá-lo é o caminho equilibrado.

Outros signos de qualidade mutável que irão enfrentar um Netuno em uma sintonia bem mais kármica são Gêmeos e Sagitário. Ambos distam 90º de Peixes e, dentro do conhecimento astrológico, isto deflagra uma quadratura. A vontade de fugir das situações é maior, a tendência a apelar por fanatismos e outras compulsões é quase irresistível. Concentre-se na sua Alma e na sua Vontade. Energias em várias formas podem levar a enganos. Neste caso, apelar para a lucidez e o discernimento é saudável. Entregar-se às brumas viciantes pode custar muito caro e levar à doença.

Ah, Netuno é a Alma! E isto não combina com o mar? O mar não é, ao mesmo tempo, infinitamente calmo e infinitamente irado? O mar não toma estranhas formas, dividindo a luz em fantásticas miríades coloridas? Ilusão e arte, camaleão e dragão, este é o mar!

Netuno é a Alma, com todos os nervos expostos tocados por raios de sistemas alienígenas, maliciosos, caprichosos, mágicos ou ainda como as cordas de uma harpa tangidas por algum músico do além, sutil e divino demais para que sua melodia chegue aos ouvidos dos mortais.” (traduzido do 'The Complete Astrological Writings' de Aleister Crowley)

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